AgradecimientosVaco Bendi (Aloisio Caravalho y Dogriu Gotas), Vinicius Nonato, Dani Felix, Rose Boaretto, Tiago Sant'Ana, Lucas Moreira,  Bia de Medeiros, Santiago Cao, Lívia Cunha, Fernanda Felix, Mariana Gommach, Pâmela Guimarães, João Matos, Tuti Minervino, artistas invitados [Aníbal Sandoval (Chile), Diana Daf (Peru), George Sander (São Paulo-Brasil), Juan Montelpare (Ecuador), Laís Guedes (Bahia-Brasil), Lucas Moreira (Bahia-Brasil), Luis Eduardo Martínez (Argentina), Mariana Picart Motuzas (Uruguay), Maria Eugênia Matricardi (Distrito Federal-Brasil), Sara Panamby (São Paulo-Brasil), Thiago Sant`Ana (Bahia-Brasil)], entre otros.


Tronco-só
(Tronco-sólo)
por Tzitzi Barrantes

em português: 

Um vizinho queima por completo um tronco que pensava em usar na performance, graças a isso começo a conversar com ele toda tarde e noite, com sua ajuda escolheu novamente outro tronco, durante la conversa ele me conta que é musico e tem uma banda, canta para mim uma canção composta por ele, chamada Jandaia. 

Esse dia me entregou uma zarigüeya agonizando, senti como batia seu coração e como enchiam de ar os seus pulmões, então me pede que a leve ao veterinário, vou imediatamente no entando ela morre no caminho. Peço a ele, que se chamava Aloisio Carvalho e a seu amigo tambem integrante da banda (Dogriu Gotas) que cantem e toquem a canção Jandaia durante a ação do dia 14 de março/13 

O dia chega, coloco o tronco com as pontas carbonizados para baixo da sombra de uma arvore, sobre ele um tecido vermelho e uma zarigueya morta.

Mastigo o carvão proveniente de um tronco, que gruda em minha boca, produz um som seco, crocante, meus dentes arrancam o carvão do tronco enquanto este vai se transformando líquido em minha boca, começo a expulsá-lo. Desabotôo minha blusa cinza, descubro minha pele, meu peito. Há quem cubra o corpo de vergonha; Há quem descubra a beleza particular e coletiva do corpo “descoberto” e há quem supostamente foi descoberto (indigenas “descobertos” pelos portugueses) enquanto estavam descobertos (pelados).

Escrevo com o mesmo carvão líquido que escorre pelo meu corpo a palavra INDUSTRIAS, abaixo do meu umbigo, fico próxima a um sarigué morto e corto o tecido que o segura, passo entre a fresta do tronco até chegar ao chão, cubro o animal e o tecido vermelho com pedaços de madeira podre que arranco do próprio tronco. É um enterro sem terra.

A música, o canto e a letra da Jandáia continuam ecoando, me aproximo de um dos musicos passo pela sua perna uma corda e amarro, atravesso junto com a corda uma nota de dois reais, a nota começa lentamente a subir pela perna, sobe “a bandeira ao mastro”, ajusto e amarro a ponta da corda em seu tornozelo para que ela não desça. 

Me aproximo de um jovem, deito no chão e faço o mesmo procedimento de amarrar a corda e subir lentamente uma nova, umas pessoas comentam que me aproximei dele porque era o mais simpático, já que tinha olhos claros e azuis. 

Cada vez mais as pessoas param para me olhar e comentam entre eles, enquanto amarro a corda e outra nota (de dois reais ou de 1000 pesos colombianos) em um homem, uma mulher diz que isso é macumba*, quando me aproximo de um outro homem e de uma mulher que estão sentados, eles batem o pé no chão e dizem: Shô (como se espantassem um cachorro) e se levantam de imediato. 

Outra pessoa diz a ele, pessoa em que coloquei a nota : Você vale muito pouco, só 2 reais! 

Quanto valemos? Quanto vale a terra que compartilhamos? Quanto vale as reservas ecológicas e o patrimônio da humanidade? 


“O patrimõnio NÂO SE VENDE” diz Paulo Celso de Oliveira (índio da etnia Pancararu) - Ver a nota : Indios Ocupam o Museu do Indio (Rio de Janeiro) 

* Macumba: é uma palavra africana de origem bantu que dava nome a um instrumento musical. Macumba acabou tendo uma outra conotação no Brasil, que é utilizada pela maioria das pessoas de maneira pejorativa que associam a rituais de magia negra ou a religiões afro como candomblé ou a Umbanda.

-Info mineração em Colombia / mapa interativo


Tradução: Vinicius Nonato

Estudia letras em Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)


en español:
Un vecino quema por completo un tronco que pensaba usar en la performance, gracias a ello comienzo a conversar con él toda una tarde y noche, con su ayuda escojo nuevamente otro tronco, durante la conversación me cuenta que es músico y tiene una banda, canta para mí una canción compuesta por él, llamada Jandaia. 

Ese día me entregó una zarigüeya agonizando, sentí cómo latía su corazón y cómo se llenaban sus pulmones de aire, él me pide que la lleve al veterinario, voy inmediatamente, sin embargo, ella muere en el camino. Pido a este vecino, llamado Aloisio Caravalho y al otro integrante de la banda (Dogriu Gotas) que canten y toquen la canción Jandaia durante la acción del día 14 de marzo/13. 

El día llega, sitúo el tronco con puntas carbonizadas bajo la sombra de un árbol y, en la misma calle, coloco bajo el sol un tronco podrido y hueco, sobre éste un tejido rojo y sobre el tejido la zarigüeya muerta. 

Mastico el carbón proveniente del tronco, éste se pega a mi paladar, produce un sonido seco, crocante, mis dientes arrancan el carbón del tronco mientras éste se va volviendo líquido en mi boca, comienzo a expulsarlo. Desabotono mi blusa gris, descubro mi piel, mi pecho. Hay quien cubre el cuerpo de vergüenza; hay quien descubre la belleza particular y colectiva del cuerpo “al descubierto” y hay quienes se supone fueron descubiertos (indígenas “descubiertos” por los portugueses) mientras estaban descubiertos (desnudos). 

Escribo con el mismo carbón líquido que se escurre por mi cuerpo la palabra INDUSTRIAS bajo mi ombligo, me acerco a la zarigüeya y corto el tejido que la sostiene, paso por entre el tronco hueco hasta llegar al suelo y cubro al animal con trozos de madera podrida que arranco del mismo tronco, es un entierro sin tierra. 

La música, el canto y la letra de Jandaia sigue resonando, me acerco a uno de los músicos, rodeo su pierna con un hilo rojo y amarro, atravieso con hilo un billete de 2 reales, el billete comienza lentamente a subir por la pierna, sube “la bandera al asta”, ajusto y anudo la punta del hilo en el tobillo para que no se caiga, no descienda. 

Me acerco a un joven, me acuesto en el suelo y hago el mismo procedimiento de amarrar hilo y subir lentamente un billete, unas personas comentan que me acerqué a él porque era el más simpático, ya que tenía ojos claros y azules. 

Cada vez más la gente se detiene a mirarme y comentan cosas entre ellos, mientras amarro hilo y otro billete (de 2 reales o de 1000 pesos colombianos) a un hombre, una mujer dice que eso es Macumba*, cuando me acerco a un hombre y una mujer que están sentados ellos lanzan una patada y dicen: shsh (como cuando se espanta a un perro) y se levantan de inmediato. 

Otra persona le dice a quien le cuelgo el billete: você vale muito pouco ¡Só 2 reales! (Usted vale muy poco ¡sólo 2 reales!) 

¿Cuánto valemos? ¿cuánto vale la tierra que compartimos? ¿Cuánto las reservas ecológicas y el patrimonio de la humanidad? 


“El patrimonio NO SE VENDE” dice Paulo Celso de Oliveira (índio da etnia Pancararu) -ver la nota: Indios Ocupan el Museo del Indio (Río de Janeiro, Brasil)-

* Macumba: es una palabra africana de origen bantú que daba el nombre a un instrumento musical. Macumba acabó teniendo otras connotaciones en Brasil, es utilizada por la mayoría de las personas de manera peyorativa, asociándola a rituales de magia negra o a religiones Afro como candomblé o la Umbada.

-Info minería en Colombia mapa interactivo


Canção Jandaia:
(em português) 

(...)

Nós aqui na terra
Viviamos bem
Nós e a floresta

Para cumprir
A velha profecia
Acabar em fogo
Como o pastor queria

Janda Jandaia
Piriquito caçador
A vida eterna
Na terra sim senhor

Daí chegaram os portugueses, os cristãos
Queimaram tudo
Virou tudo carvão

(...)
Vinha ao indigena 
(...)
Pele vermellha
(...)

Janda Jandaia
Piriquito caçador
A vida eterna
Na terra sim senhor


Autores: 

Grupo musical Vaco Bendi 

(Aloisio Caravalho y Dogriu Gotas) 

Transcrito por: João Matos

















Tronco-só

14 de marzo/13en 
Consta do Descobrimento, Trancoso (Bahía, Brasil)

Participación: grupo musical Vaco Bendi (Aloisio Caravalho y Dogriu Gotas) con la canción Jandaia (compuesta por ellos)
Fotos: Pamela Guimarães